Funções do “que”: como classificar sem errar na prova

Pronome relativo, conjunção integrante e os outros usos do “que”, cada um com o seu teste de substituição.

por Pablo Jamilk, Mestre e Doutor em Letras

O “que” pode ser pronome relativo (troca por “o qual”), conjunção integrante (a oração troca por “isso”), conjunção adverbial ou coordenativa (liga orações com valor de causa, consequência, comparação ou explicação), pronome interrogativo, advérbio de intensidade, preposição, partícula expletiva e até substantivo. Em concursos, os dois usos mais cobrados são o pronome relativo e a conjunção integrante.

Função Teste Exemplo
Pronome relativo Troca por “o qual”, “a qual”… O livro que li é ótimo.
Conjunção integrante A oração inteira troca por “isso” Espero que você passe.
Conjunção causal/explicativa Troca por “porque” ou “pois” Saia logo, que está tarde.
Conjunção consecutiva Depois de “tão”, “tanto”, “tal” Estudou tanto que passou.
Conjunção comparativa Depois de “mais”, “menos” Ele lê mais que eu.
Pronome interrogativo Pergunta (troca por “o quê”, “qual”) Que houve?
Advérbio de intensidade Troca por “quão”, “muito” Que difícil foi a prova!
Preposição Troca por “de” Tenho que estudar.
Partícula expletiva Pode ser retirado Quase que desisti.
Substantivo Com artigo e acento: “quê” Ela tem um quê de mistério.

Pronome relativo

Retoma um substantivo anterior e introduz uma oração adjetiva. Teste: troque por “o qual” e variações. A prova que fiz foi difícil vira a prova a qual fiz. O relativo tem função sintática dentro da oração (sujeito, objeto etc.) e recebe a preposição exigida pelo verbo: o filme a que assisti. Guia completo: pronome relativo.

Conjunção integrante

Introduz uma oração subordinada substantiva e não retoma nenhum termo. Teste: troque a oração inteira por “isso”. É importante que você revise vira isso é importante. Guia: orações subordinadas.

Relativo ou integrante? O teste decisivo

Compare: A notícia que recebi foi boa (que = a qual: relativo) e A notícia de que ele passou foi boa (ele passou = isso: integrante). Se antes do “que” há um substantivo que ele retoma, é relativo. Se a oração completa o sentido de um verbo ou nome, é integrante.

Conjunções adverbiais e coordenativas

O “que” também liga orações com outros sentidos. É causal ou explicativo quando equivale a “porque” ou “pois” (Leve casaco, que vai esfriar), consecutivo depois de “tão”, “tanto” ou “tal” (Correu tanto que cansou) e comparativo depois de “mais” ou “menos” (Estuda mais que o irmão). Veja orações coordenadas.

Os outros usos

Teste rápido

  1. O edital que saiu ontem tem 500 vagas.
  2. Todos sabem que a prova será difícil.
  3. Estudou tanto que ficou em primeiro lugar.
  4. Temos que entregar a inscrição hoje.
  5. Venha cedo, que o portão fecha às 13h.

Respostas: 1. Pronome relativo (o qual). 2. Conjunção integrante (sabem isso). 3. Conjunção consecutiva. 4. Preposição (temos de). 5. Conjunção explicativa (pois).

Perguntas frequentes

Quais são as funções do “que”?

Pronome relativo, conjunção integrante, conjunção adverbial ou coordenativa, pronome interrogativo, advérbio de intensidade, preposição, partícula expletiva e substantivo.

Como saber se o “que” é pronome relativo?

Troque por “o qual”, “a qual”, “os quais” ou “as quais”. Se a frase continuar correta, é pronome relativo.

Como saber se o “que” é conjunção integrante?

Troque a oração que ele introduz por “isso”. Se a frase fizer sentido, é conjunção integrante.

“Tenho que” ou “tenho de”?

As duas formas são aceitas hoje. Em “tenho que estudar”, o “que” funciona como preposição, equivalente a “de”.

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