Método Jamilk
Concordância verbal e nominal

Concordância verbal e nominal: o guia definitivo da norma

Entenda concordância verbal e nominal com profundidade: sujeito, núcleo, expressões partitivas, porcentagens, verbo haver impessoal e as principais armadilhas de banca.

concordância verbalconcordância nominalsujeito compostoverbo haver impessoalexpressão partitiva
2
tipos de concordância na norma culta
5
elementos do grupo nominal
3
verbos impessoais de tempo transcorrido
60%
das provas cobram a regra geral

Panorama

Problema
Muitos estudantes tropeçam em concordância porque decoram regras soltas. Sem entender a lógica, erram até nos casos simples.
Causa raiz
A confusão nasce do desconhecimento sobre sujeito, núcleo e grupo nominal. Sem sintaxe sólida, a concordância vira chute.
Solução
Compreender que o verbo concorda com o núcleo do sujeito e que os termos nominais concordam com o substantivo. A partir daí, aplicam-se exceções.
Resultado
Domínio das pegadinhas clássicas: verbo haver impessoal, sujeito posposto, partitivos e porcentagens. Ganha-se segurança em prova e precisão na escrita.

A concordância verbal e nominal é, disparadamente, um dos conteúdos mais cobrados em provas de concurso, vestibulares e redações oficiais. Não por acaso: ela sustenta a coesão entre as palavras e revela, de imediato, o domínio que o autor tem da norma culta. Quem erra uma concordância básica compromete a credibilidade do texto inteiro, ainda que o raciocínio esteja impecável.

Antes de qualquer regra, convém fixar a definição. Concordar, em língua portuguesa, significa flexionar palavras para que se harmonizem dentro da sentença. As palavras concordam em gênero, número e pessoa, nunca em grau, apesar do ditado popular. Essa distinção já separa o leitor atento do distraído.

Para tratar de concordância verbal e nominal com rigor, é indispensável reconhecer o sujeito e seu núcleo, o grupo nominal e seus termos acessórios. Sem esse alicerce sintático, as regras parecem arbitrárias. Com ele, revelam-se organizadas e previsíveis, até nos casos que as bancas tratam como armadilha.

Neste guia, percorreremos a regra geral do verbo, o comportamento do sujeito composto anteposto e posposto, as expressões partitivas, as porcentagens, a construção um dos que, o verbo haver impessoal e os verbos de tempo transcorrido. Cada seção traz exemplos comentados e explicita a lógica interna da norma.

O objetivo é didático e, ao mesmo tempo, técnico. O leitor sairá capaz de identificar, em qualquer enunciado, qual regra está em jogo e por que determinada forma verbal ou nominal se impõe. Esse é o caminho que a tradição gramatical brasileira, de Bechara a Celso Luft, recomenda.

Na concordância verbal e nominal, o verbo acompanha o núcleo do sujeito em número e pessoa; os termos do grupo nominal acompanham o substantivo em gênero e número. Tudo o mais é exceção controlada.

Concordância verbal

A lógica do verbo que acompanha o núcleo do sujeito

A concordância verbal regula a relação entre sujeito e verbo. O verbo concorda com o núcleo do sujeito em número e pessoa, e esse princípio sustenta tanto a regra geral quanto as exceções mais sofisticadas cobradas em prova.

Regra 1

Núcleo manda

O verbo concorda com o núcleo do sujeito, mesmo que haja termos intercalados entre eles.

Regra 2

Sujeito anteposto

Sujeito composto antes do verbo exige plural obrigatório.

Regra 3

Sujeito posposto

Após o verbo, admite-se plural ou concordância com o núcleo mais próximo.

Regra 4

Locução verbal

Quem flexiona é o auxiliar; o verbo principal permanece na forma nominal.

1. Regra geral: o verbo concorda com o núcleo do sujeito

A regra mais cobrada, e também a mais negligenciada, da concordância verbal e nominal é a geral. O verbo deve concordar com o núcleo do sujeito em número e pessoa. Em frases como ocorreram manifestações ao longo do país, o verbo ocorrer é intransitivo, e manifestações funciona como sujeito, exigindo o plural.

As bancas exploram justamente a distração do candidato. Quando intercalam uma oração adverbial entre vírgulas, o leitor apressado concorda o verbo com o termo mais próximo, não com o verdadeiro núcleo. O deslocamento do sujeito para outra posição, contudo, não altera a regra de concordância.

Recomenda-se, portanto, a prática de reescrever mentalmente a frase na ordem direta. Ao colocar o sujeito antes do verbo, o núcleo fica visível e a concordância se resolve sozinha. Essa técnica, defendida por Celso Luft, evita a maior parte dos erros recorrentes.

Em locuções verbais como devem fazer ou estão aguardando, quem flexiona é o verbo auxiliar. O principal permanece no infinitivo, gerúndio ou particípio. Essa distinção é elementar, mas ainda confunde muitos candidatos em provas discursivas.

2. Sujeito composto anteposto e posposto

Quando o sujeito composto vem antes do verbo, o plural é obrigatório. Em Brasil e China hão de sediar o evento, os dois núcleos somam-se e obrigam a locução ao plural. Não há, nesse caso, qualquer margem para variação estilística ou concordância atrativa.

A situação muda quando o sujeito composto vem depois do verbo. Em chegou Manuel e sua família ou chegaram Manuel e sua família, ambas as formas são aceitas pela tradição normativa. A primeira concorda com o núcleo mais próximo; a segunda, com a totalidade do sujeito composto.

Essa flexibilidade, registrada por Cunha e Cintra, reflete a própria história da língua. Latinistas já admitiam a concordância atrativa, e o português herdou essa tolerância. O aluno precisa saber que as duas formas convivem e que a banca, em geral, cobra o reconhecimento de ambas como corretas.

Recomenda-se, no entanto, preferir o plural em textos formais, especialmente em redação oficial. A concordância mais abrangente transmite precisão e reduz ambiguidades. A concordância atrativa, embora gramatical, soa coloquial em ofícios e exposições de motivos.

3. Expressão partitiva seguida de nome no plural

Expressões partitivas como grande parte, a maioria, a minoria e metade apresentam comportamento dúplice na concordância verbal e nominal. Quando seguidas de nome no plural, admitem tanto o verbo no singular quanto no plural, sem prejuízo semântico ou gramatical.

Em grande parte dos clientes fez uma compra, o verbo concorda com parte, o núcleo formal do sujeito. Em grande parte dos clientes fizeram uma compra, a concordância ocorre por atração, com o substantivo clientes. Ambas as construções estão abonadas pela norma.

A escolha entre singular e plural produz efeitos estilísticos sutis. O singular destaca o conjunto como totalidade; o plural enfatiza os indivíduos que compõem o grupo. Escritores atentos exploram esse matiz para ajustar o foco do enunciado.

Nas provas, o examinador tende a testar o reconhecimento dessa dupla possibilidade. O candidato que marca apenas uma forma como correta, ignorando a outra, perde a questão. A regra, aqui, é de convivência, não de exclusão.

4. Porcentagens e a construção um dos que

Quando o sujeito envolve porcentagem seguida de substantivo no plural, o verbo concorda com o substantivo. Em cerca de 50% dos contatos pediram o produto, o núcleo da concordância é contatos. Se o substantivo estiver no singular, como em cerca de 50% da carteira pediu, o verbo acompanha o singular.

Se a porcentagem aparece isolada, sem substantivo posterior, a concordância se faz com a noção numérica. Assim, 50% solicitaram o orçamento exige plural, porque a quantidade expressa é maior do que um. Já 1% solicitou permaneceria no singular, pela mesma razão lógica.

A construção um dos que merece atenção redobrada. Em César foi um dos diretores que mais contribuíram, o verbo vai ao plural porque o pronome relativo que retoma diretores, substantivo plural. A leitura semântica confirma: entre os diretores que contribuíram, César é um deles.

Esse caso costuma ser apontado como obrigatório pela norma culta, embora alguns gramáticos admitam o singular em registros coloquiais. Em prova objetiva, a orientação segura é manter o plural. Essa é a forma consagrada por Bechara e pelo Manual de Redação da Presidência.

Método Jamilk

Quer acelerar? Conheça o Método Jamilk

A preparação completa em Língua Portuguesa e Redação para quem quer dominar a norma culta e escrever com precisão.

Acessar o Método

Concordância nominal

O substantivo como coração do grupo nominal

A concordância nominal regula a relação entre o substantivo e os demais termos do grupo nominal. Artigos, adjetivos, numerais e pronomes concordam com o substantivo em gênero e número, respeitando a hierarquia interna do sintagma.

Elemento 1

Substantivo

Núcleo do grupo nominal; palavra à qual as demais se conectam.

Elemento 2

Artigo e pronome

Antepõem-se ao substantivo e concordam em gênero e número.

Elemento 3

Adjetivo

Qualifica o substantivo e acompanha suas flexões.

Elemento 4

Numeral

Quantifica o substantivo e ajusta-se a ele quando variável.

1. A estrutura do grupo nominal

Na concordância verbal e nominal, o grupo nominal é formado por cinco elementos principais. O substantivo ocupa o centro, como coração do sintagma. Ao seu redor orbitam artigo, adjetivo, numeral e pronome, que se flexionam para concordar com ele.

Em as pessoas boas devem amar seus inimigos, o substantivo pessoas rege a concordância de as, artigo, e de boas, adjetivo. Ambos se flexionam no feminino plural. Já seus, pronome possessivo, concorda com inimigos, substantivo masculino plural.

Essa hierarquia não é arbitrária. Ela reflete a função semântica de cada classe. O substantivo nomeia; as demais palavras especificam, qualificam, quantificam ou determinam. A concordância formaliza essa dependência.

Compreender essa estrutura resolve a maioria das questões de concordância nominal. Quando o estudante identifica o substantivo, reconhece automaticamente quem deve flexionar-se para acompanhá-lo. A análise sintática, portanto, precede a aplicação da regra.

2. Verbo haver impessoal: a regra campeã de bancas

O verbo haver, quando empregado no sentido de existir, ocorrer ou acontecer, é impessoal. Não tem sujeito e, por isso, permanece obrigatoriamente no singular. Em há meios de conseguir a vitória, o haver não concorda com meios, pois meios é objeto direto, não sujeito.

A banca costuma propor a substituição de haver por existir para testar o candidato. Essa troca exige atenção, porque existir é intransitivo e pessoal. Em existem meios de conseguir a vitória, meios é sujeito e obriga o verbo ao plural.

A diferença entre os dois verbos é de natureza sintática. Haver transitivo direto não pede sujeito; existir intransitivo pede. Quem confunde essa distinção erra ambas as construções. Quem a domina resolve uma das regras mais incidentes da concordância verbal e nominal em concursos.

Em locuções como deve haver livros importantes, o auxiliar acompanha a impessoalidade do haver e também permanece no singular. A forma devem haver livros, embora frequente na fala, é considerada agramatical pela norma culta registrada pelo Manual da Presidência.

3. Verbos fazer, haver e ir no sentido de tempo transcorrido

Três verbos merecem cuidado especial quando indicam tempo transcorrido: haver, fazer e ir. Nessa acepção, comportam-se como impessoais e permanecem no singular. As formas havia duas semanas, faz três meses e vai para três anos ilustram a regra.

Construções como haviam duas semanas ou fazem três meses, embora usuais na oralidade, contrariam a norma. O examinador explora justamente a intuição falha do candidato, que tende a pluralizar por eufonia ou hábito. A forma correta é sempre o singular.

Essa regra sustenta textos jurídicos, jornalísticos e oficiais. Em ofícios, exposições de motivos e pareceres, a impessoalidade desses verbos é observada com rigor. Trata-se de marca estilística da linguagem formal brasileira.

A lógica é simples: tempo transcorrido não é sujeito, é complemento adverbial implícito. O verbo, sem sujeito, não tem com quem concordar e cristaliza-se no singular de terceira pessoa. Essa é a explicação tradicional, registrada por Bechara e Luft.

4. Armadilhas de banca e estratégias de revisão

As armadilhas mais comuns em concordância verbal e nominal envolvem o deslocamento do sujeito, a intercalação de adjuntos adverbiais entre vírgulas e a troca de verbos impessoais por pessoais. Identificar esses recursos é parte do treinamento técnico para qualquer prova exigente.

Recomenda-se, como estratégia, isolar mentalmente o sujeito e o verbo antes de julgar a concordância. Termos entre vírgulas, parênteses ou travessões costumam ser adjuntos que não interferem na flexão. Desconsiderá-los provisoriamente clareia a análise.

Outra estratégia é reconhecer expressões-gatilho: um dos que, mais de, cerca de, grande parte, a maioria, haver, fazer, ir. Cada uma aciona uma regra específica. Memorizar o gatilho, e não apenas a regra, acelera a resposta em prova objetiva.

Por fim, a leitura atenta de textos bem escritos é o melhor treino. Jornais de referência, acórdãos bem redigidos e manuais de redação oficial exibem a concordância em funcionamento. A internalização por exposição complementa o estudo teórico.

Revisão rápida

Antes de marcar a questão, responda

Checklist de validação
  • Identifiquei corretamente o núcleo do sujeito?
  • O sujeito está anteposto ou posposto ao verbo?
  • Há expressão partitiva ou porcentagem envolvida?
  • O verbo haver está no sentido de existir ou de tempo transcorrido?
  • Na locução verbal, verifiquei qual é o verbo auxiliar?

A concordância não é adorno: é a prova visível de que o autor pensa sintaticamente antes de escrever.

Pablo Jamilk
Síntese

O rigor que sustenta a norma culta

Dominar a concordância verbal e nominal exige mais do que memorização de regras. Exige análise sintática consistente, reconhecimento do núcleo do sujeito e dos termos do grupo nominal. Cada exceção, por mais sofisticada, deriva desse princípio estrutural.

As regras apresentadas, da geral do verbo à impessoalidade do haver, cobrem a maior parte das questões cobradas em concursos e vestibulares. Sujeito composto, expressões partitivas, porcentagens e construções do tipo um dos que já não representarão mistério para quem internalizou a lógica.

O estudante que se acostuma a identificar os gatilhos sintáticos antes de flexionar o verbo ganha segurança e precisão. Essa postura analítica diferencia o candidato bem preparado daquele que confia apenas na intuição, frequentemente enganosa em pontos delicados da norma culta.

A concordância verbal e nominal, longe de ser obstáculo, é ferramenta de clareza. Quem a domina escreve com economia e elegância, atributos que Bechara, Celso Luft e o Manual de Redação da Presidência valorizam como marcas de maturidade linguística.

Pablo Jamilk
Sobre o professor

Pablo Jamilk

Mestre e Doutor em Letras, escritor, professor, pesquisador e especialista em Língua Portuguesa, Redação e Redação Oficial. Autor de diversas obras voltadas aos concurseiros, vestibulandos e amantes da língua portuguesa.

Busca sempre a excelência em suas aulas, de modo que o aluno aprenda o que é necessário de maneira precisa e eficiente.

Perguntas frequentes

Dúvidas respondidas

01Qual é a regra geral da concordância verbal?

O verbo concorda com o núcleo do sujeito em número e pessoa. Termos intercalados entre vírgulas, parênteses ou travessões não interferem na concordância. Identificar corretamente o sujeito é o primeiro passo para aplicar a regra.

02Na locução verbal, qual verbo opera a concordância?

Quem flexiona em número e pessoa é o verbo auxiliar. O verbo principal permanece em forma nominal: infinitivo, gerúndio ou particípio. Assim, em devem fazer, o auxiliar dever é que concorda com o sujeito.

03Como funciona a concordância com sujeito composto posposto?

Quando o sujeito composto vem depois do verbo, admite-se o plural ou a concordância com o núcleo mais próximo. Ambas as formas são corretas pela norma culta. Em redação oficial, prefere-se o plural por maior clareza.

04O verbo haver no sentido de existir concorda com o complemento?

Não. Haver, no sentido de existir, ocorrer ou acontecer, é impessoal e permanece no singular. O substantivo que o acompanha é objeto direto, não sujeito. Por isso, diz-se há meios, e não hão meios.

05Como tratar expressões partitivas como grande parte ou a maioria?

Quando seguidas de nome no plural, admitem verbo no singular ou no plural. A escolha depende do foco semântico: o singular destaca a totalidade, o plural enfatiza os indivíduos. Ambas são formas normativas.

06A construção um dos que exige verbo no plural?

Sim, pela norma culta. O pronome relativo que retoma o substantivo plural anterior, obrigando o verbo ao plural. Em César foi um dos diretores que mais contribuíram, o plural é a forma consagrada por Bechara e Cunha e Cintra.

Método Jamilk

Domine a Língua Portuguesa com método

Aulas, materiais e correções que levam você da leitura à escrita precisa. Preparação completa para concursos, vestibulares e para quem quer escrever bem de verdade.

Acessar o Método Jamilk

pablojamilk.com.br/metodo-jamilk

Não vá embora ainda!

Eu posso te ajudar!

Preencha os dados e fale com a minha equipe.