Como reconhecer cada uso do “se” com um teste rápido, do pronome apassivador à conjunção.
por Pablo Jamilk, Mestre e Doutor em Letras
A palavra “se” pode ser pronome apassivador, índice de indeterminação do sujeito, pronome reflexivo, pronome reflexivo recíproco, parte integrante do verbo, partícula expletiva (de realce) ou conjunção, condicional ou integrante. O que decide a classificação é o verbo ao lado dele: se ele pede objeto direto, se pede preposição, se é um verbo pronominal ou se o “se” liga duas orações.
| Função | Teste | Exemplo |
|---|---|---|
| Pronome apassivador | Verbo transitivo direto; dá para passar para a voz passiva analítica | Vendem-se casas. (Casas são vendidas.) |
| Índice de indeterminação | Verbo com preposição, intransitivo ou de ligação; verbo no singular | Precisa-se de ajudantes. |
| Reflexivo | O sujeito pratica e sofre a ação (a si mesmo) | Ele se feriu. |
| Reflexivo recíproco | Ação trocada entre dois ou mais (um ao outro) | Os candidatos se cumprimentaram. |
| Parte integrante do verbo | Verbo pronominal: não existe sem o “se” | Ele se arrependeu. |
| Partícula expletiva | Pode ser retirado sem mudar o sentido | Foi-se embora cedo. |
| Conjunção | Liga orações: condição (caso) ou integrante (troca por “isso”) | Se estudar, passa. / Não sei se ele virá. |
Aparece com verbo transitivo direto e forma a voz passiva sintética. O termo que parece objeto é o sujeito, e o verbo concorda com ele: Alugam-se salas, Corrigiu-se a prova. Teste: passe para a voz passiva analítica (Salas são alugadas). Se funcionar, o “se” é apassivador. Veja também vozes verbais.
Aparece com verbos que não têm objeto direto: transitivos indiretos, intransitivos e de ligação. O sujeito fica indeterminado e o verbo, sempre no singular: Precisa-se de vendedores, Vive-se bem aqui, Era-se feliz naquela época.
No reflexivo, o sujeito faz a ação sobre si mesmo, e dá para acrescentar “a si mesmo”: Ela se olhou no espelho. No recíproco, a ação é trocada, e dá para acrescentar “um ao outro”: Os dois se abraçaram. Nos dois casos, o “se” funciona como objeto direto ou indireto.
Alguns verbos só existem com o pronome: arrepender-se, queixar-se, suicidar-se, dignar-se, apiedar-se. O “se” faz parte do verbo e não tem função sintática própria: Ele se queixou do barulho.
É o “se” usado só para dar ênfase. Pode ser retirado sem mudar o sentido: Vão-se os anéis, ficam os dedos; Foi-se embora.
Como conjunção, o “se” liga orações. É condicional quando equivale a “caso”: Se chover, a prova será adiada. É integrante quando introduz uma oração que pode ser trocada por “isso”: Não sei se ele virá (não sei isso). Veja orações subordinadas.
Confundir apassivador com índice de indeterminação, porque isso decide a concordância. Olhe a regência do verbo: Vendem-se casas (vender algo: transitivo direto, apassivador, plural) e Precisa-se de casas (precisar de algo: transitivo indireto, índice de indeterminação, singular).
Respostas: 1. Pronome apassivador. 2. Índice de indeterminação do sujeito. 3. Parte integrante do verbo. 4. Conjunção condicional. 5. Reflexivo recíproco.
Pronome apassivador, índice de indeterminação do sujeito, pronome reflexivo, reflexivo recíproco, parte integrante do verbo, partícula expletiva e conjunção condicional ou integrante.
Com verbo transitivo direto, o “se” é apassivador e o verbo concorda com o sujeito. Com verbo que pede preposição, intransitivo ou de ligação, é índice de indeterminação e o verbo fica no singular.
É o “se” de verbos pronominais, que não existem sem ele, como arrepender-se e queixar-se.
Quando liga orações: é condicional se equivale a “caso” e integrante se introduz uma oração que pode ser trocada por “isso”.
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Referências: BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo.