Como identificar cada tipo pela função que a oração exerce, com os testes de substituição que funcionam na prova.
por Pablo Jamilk, Mestre e Doutor em Letras
Oração subordinada é a que exerce uma função sintática dentro de outra oração, chamada principal. Ela pode ser substantiva (funciona como um substantivo e pode ser trocada por “isso”: Espero que você passe = espero isso), adjetiva (funciona como adjetivo e começa com pronome relativo: O candidato que estudou passou) ou adverbial (funciona como advérbio e indica circunstância, como tempo, causa ou condição: Quando o edital sair, estude).
| Tipo | Funciona como | Como reconhecer | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Substantiva | Substantivo (sujeito, objeto, complemento…) | Troca por “isso”; começa com “que” ou “se” integrante | É certo que ele virá. |
| Adjetiva | Adjetivo (adjunto adnominal) | Começa com pronome relativo (que = o qual) | O livro que li é ótimo. |
| Adverbial | Advérbio (adjunto adverbial) | Indica circunstância: tempo, causa, condição… | Se estudar, passará. |
Exercem funções próprias de substantivo e costumam ser introduzidas pelas conjunções integrantes que e se. O teste é trocar a oração por “isso”. São seis tipos, de acordo com a função:
Dica: a subjetiva aparece muito com verbo de ligação + adjetivo (é necessário que), com verbo na voz passiva (sabe-se que, foi decidido que) e com verbos como convir, parecer, importar.
Funcionam como adjetivos e se ligam a um substantivo da oração principal por meio de um pronome relativo (que, quem, o qual, cujo, onde). O teste é trocar “que” por “o qual” ou “a qual”. São dois tipos, e a vírgula faz toda a diferença:
Essa diferença de sentido é uma das questões mais cobradas em concursos: tirar ou colocar as vírgulas muda o que a frase afirma.
Funcionam como adjuntos adverbiais e indicam uma circunstância. São nove tipos:
| Tipo | Conjunções mais cobradas | Exemplo |
|---|---|---|
| Causal | porque, como (no início), já que, visto que, uma vez que | Como choveu, a prova atrasou. |
| Consecutiva | que (depois de tão, tanto, tal), de modo que | Estudou tanto que passou. |
| Concessiva | embora, ainda que, mesmo que, conquanto, se bem que | Embora cansado, estudou. |
| Condicional | se, caso, desde que, contanto que | Caso chova, leve guarda-chuva. |
| Conformativa | conforme, segundo, consoante, como (= conforme) | Fiz conforme o edital pedia. |
| Comparativa | como, que (depois de mais, menos), assim como | Estudou mais que o irmão. |
| Final | para que, a fim de que | Estudou para que passasse. |
| Proporcional | à medida que, à proporção que, quanto mais… mais | À medida que estudava, aprendia. |
| Temporal | quando, enquanto, assim que, logo que, desde que | Quando o edital sair, estude. |
Atenção a duas conjunções de sentido duplo. “Desde que” é condicional quando equivale a “se” (Passará desde que estude) e temporal quando equivale a “a partir de quando” (Estuda desde que acordou). “Como” pode ser causal (no início, = porque), conformativo (= conforme) ou comparativo.
São orações subordinadas sem conjunção, com o verbo numa forma nominal: infinitivo, gerúndio ou particípio. É importante revisar o conteúdo (reduzida de infinitivo = que se revise). Terminada a prova, saímos (reduzida de particípio = quando a prova terminou). Estudando, você passa (reduzida de gerúndio = se estudar).
Classifique a oração subordinada destacada.
Respostas: 1. Substantiva subjetiva. 2. Adjetiva restritiva. 3. Adverbial concessiva. 4. Substantiva completiva nominal. 5. Adverbial proporcional.
São três grandes grupos: substantivas, adjetivas e adverbiais. As substantivas têm seis tipos, as adjetivas têm dois (restritiva e explicativa) e as adverbiais têm nove.
Tente trocar a oração por “isso”. Se a frase continuar fazendo sentido, é substantiva: Espero que você passe vira Espero isso.
A restritiva não tem vírgula e limita o sentido do substantivo. A explicativa vem entre vírgulas e traz uma informação que vale para todo o grupo.
Causal, consecutiva, concessiva, condicional, conformativa, comparativa, final, proporcional e temporal.
É a oração subordinada sem conjunção, com o verbo no infinitivo, no gerúndio ou no particípio, como em “É importante revisar o conteúdo”.
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Referências: BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
Leia também: orações coordenadas, sintaxe do período simples e pontuação.