Quando usar cada um, a preposição que a banca esconde antes do relativo e as regras de “cujo” e “onde”.
por Pablo Jamilk, Mestre e Doutor em Letras
Pronome relativo é a palavra que retoma um termo já dito (o antecedente) e introduz uma oração subordinada adjetiva. Os principais são que, quem, o qual (e flexões), cujo (e flexões), onde, quanto, como e quando. Em O livro que comprei é ótimo, “que” retoma “livro”. A regra de ouro: se o verbo da oração do relativo pede preposição, ela vem antes do pronome (o filme a que assisti).
| Relativo | Quando usar | Exemplo |
|---|---|---|
| que | Coringa: pessoas ou coisas | A prova que fiz foi difícil. |
| quem | Só pessoas, sempre com preposição | O professor a quem agradeci. |
| o qual, a qual… | Depois de preposição longa ou para evitar ambiguidade | A lei sobre a qual falei. |
| cujo, cuja… | Ideia de posse, entre dois substantivos | O autor cujo livro li. |
| onde | Só lugar físico | A cidade onde moro. |
É a regra que mais derruba candidatos. Para descobrir se precisa de preposição, olhe o verbo ou o nome da oração do relativo e pergunte o que ele exige.
Na fala, é comum cortar a preposição (o filme que assisti), mas a norma-padrão cobrada em prova exige a preposição.
É o relativo mais usado e serve para pessoas e coisas. Teste: se dá para trocar por “o qual”, “a qual”, “os quais” ou “as quais”, é relativo. Os candidatos que (os quais) passaram foram convocados.
Retoma só pessoas ou coisas personificadas e, como relativo com antecedente, vem sempre depois de preposição. O professor a quem pedi ajuda respondeu. A colega com quem estudo mora perto.
Concordam com o antecedente e são preferidos em dois casos. O primeiro é depois de preposições com mais de uma sílaba ou de locuções: A lei sobre a qual falamos, o prédio diante do qual paramos. O segundo é para desfazer ambiguidade: Falei com a irmã do candidato, a qual chegou cedo (quem chegou foi a irmã).
Indica posse e fica entre o possuidor e o que é possuído. Três regras:
“Onde” só se usa para lugar físico, e equivale a “em que” ou “no qual”. A escola onde estudei. Para tempo ou situações, use “em que”: A época em que estudei, e não a época onde estudei.
“Aonde” é usado com verbos de movimento que pedem a preposição “a”: A cidade aonde vou. (ir a)
O relativo exerce uma função dentro da oração que ele introduz. Para descobrir qual, troque o relativo pelo antecedente: O livro que comprei vira comprei o livro, então “que” é objeto direto. O livro que caiu vira o livro caiu, então “que” é sujeito. É assim que a banca cobra a “função sintática do pronome relativo”.
Diga se a frase está de acordo com a norma-padrão.
Respostas: 1. Incorreta: a que mais me dediquei (dedicar-se a). 2. Incorreta: cujo nome, sem artigo. 3. Correta, lugar físico. 4. Incorreta: em que aprendi. 5. Correta: gostar de + cuja.
Que, quem, o qual (a qual, os quais, as quais), cujo (cuja, cujos, cujas), onde, quanto, como e quando.
Não. Na norma-padrão, cujo nunca vem seguido de artigo: o autor cujo livro li, e não cujo o livro.
Não na norma-padrão. Onde se usa só para lugar físico. Para tempo, use em que ou no qual: a época em que estudei.
Troque por o qual, a qual, os quais ou as quais. Se a frase continuar correta, o que é pronome relativo.
Porque o verbo assistir, no sentido de ver, exige a preposição a, e essa preposição passa para antes do pronome relativo.
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Referências: BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
Leia também: orações subordinadas, regência verbal e nominal e pronomes indefinidos, interrogativos e possessivos.