Onde colocar o pronome antes, no meio ou depois do verbo, com um roteiro de 4 perguntas e as pegadinhas que mais caem em prova.
por Pablo Jamilk, Mestre e Doutor em Letras
Colocação pronominal é a posição do pronome oblíquo átono (me, te, se, o, a, lhe, nos, vos e plurais) em relação ao verbo. Ele pode vir antes do verbo (próclise: não me diga), no meio (mesóclise: dir-lhe-ei) ou depois (ênclise: diga-me). Na norma-padrão, a próclise é obrigatória quando há uma palavra atrativa antes do verbo; a mesóclise só aparece com verbo no futuro do presente ou do pretérito; e a ênclise é o caso padrão quando nada disso acontece, principalmente no início da frase.
| Posição | Onde fica o pronome | Quando usar | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Próclise | Antes do verbo | Quando há palavra atrativa antes do verbo | Ninguém me avisou. |
| Mesóclise | No meio do verbo | Futuro do presente ou do pretérito, sem palavra atrativa | Entregar-lhe-ei o relatório. |
| Ênclise | Depois do verbo | Início de frase, imperativo afirmativo, infinitivo e gerúndio sem atrativo | Entregaram-me o relatório. |
A regra vale só para os pronomes oblíquos átonos: me, te, se, o, a, os, as, lhe, lhes, nos, vos. São pronomes “fracos” na pronúncia, que se apoiam no verbo. Os oblíquos tônicos, como mim, ti, si, vêm depois de preposição e não entram nessa conta.
Em vez de decorar listas soltas, responda a estas perguntas na ordem. A primeira resposta “sim” já resolve.
A próclise é obrigatória quando existe antes do verbo uma palavra que “puxa” o pronome para perto dela. São os chamados fatores de atração:
A mesóclise só existe com verbos no futuro do presente (farei, direi, entregarei) e no futuro do pretérito (faria, diria, entregaria). O pronome entra entre o radical e a terminação: far-se-á, dir-lhe-ia, entregar-te-ei.
Duas observações que caem em prova:
Com sujeito expresso antes do verbo, as duas formas são aceitas: Ele me dirá ou Ele dir-me-á. No português do Brasil, a primeira é bem mais usada.
A ênclise é a posição padrão da norma culta. Ela é usada quando não há palavra atrativa e o verbo não está no futuro. Os casos mais cobrados:
Atenção às mudanças de forma: depois de verbo terminado em r, s ou z, o pronome o/a vira lo/la (fazer + o = fazê-lo); depois de som nasal, vira no/na (fizeram + o = fizeram-no).
Locução verbal é o verbo auxiliar mais o verbo principal (vou estudar, tinha feito, estava lendo). A regra depende da forma do verbo principal.
Sem palavra atrativa, o pronome pode ficar depois do auxiliar ou depois do principal: Quero-lhe falar ou Quero falar-lhe. Com palavra atrativa, pode vir antes do auxiliar ou depois do principal: Não lhe quero falar ou Não quero falar-lhe.
No Brasil, também é comum o pronome solto entre os dois verbos, sem hífen: Vou te ligar. Grande parte dos gramáticos atuais aceita essa forma, mas, numa prova de norma-padrão, prefira as posições acima.
O pronome nunca vem depois do particípio. Ele fica junto do auxiliar: Tinha-se esforçado, ou, com palavra atrativa, Não se tinha esforçado. Está errado: Tinha esforçado-se.
Diga se cada frase está de acordo com a norma-padrão. As respostas estão logo abaixo.
Respostas: 1. Incorreta, porque começa com pronome átono (Empresta-me o caderno?). 2. Incorreta, porque “ninguém” atrai o pronome (Ninguém me disse nada). 3. Correta, mesóclise com futuro do presente. 4. Incorreta, porque não há ênclise ao particípio (tinham-se preparado). 5. Correta, “em” + gerúndio pede próclise.
É a posição do pronome átono em relação ao verbo: antes (próclise), no meio (mesóclise) ou depois (ênclise). Exemplos: não me diga, dir-me-á e diga-me.
Na norma-padrão, não. Frases como Me dá um minuto são comuns na fala do Brasil, mas na prova e na escrita formal o correto é Dê-me um minuto.
Somente com verbo no futuro do presente ou no futuro do pretérito, e desde que não haja palavra atrativa antes do verbo: Entregar-lhe-ei, far-se-ia.
Palavras negativas, advérbios sem vírgula, pronomes relativos, indefinidos e demonstrativos, conjunções subordinativas, palavras interrogativas e exclamativas, orações que exprimem desejo e a preposição “em” seguida de gerúndio.
Na fala e em textos menos formais, é aceito e muito usado no Brasil. Na norma-padrão cobrada em concursos, as formas mais seguras são Vou ligar-te ou Vou-te ligar.
Sim. Aparece em questões de correção gramatical, de reescrita de frases e em provas de redação oficial, em bancas como FGV, Cebraspe, Vunesp e Cesgranrio.
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Referências: CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.
Leia também: crase, regência verbal e nominal e pronomes de tratamento.