Reconhecer o texto dissertativo em suas duas vertentes, expositiva e argumentativa, é pré-requisito para interpretar com rigor provas, verbetes, enciclopédias e redações de concurso.
O texto dissertativo é a tipologia que mais exige discernimento do leitor atento, porque se subdivide em duas vertentes frequentemente confundidas: a exposição e a argumentação. Saber distingui-las é condição elementar para interpretar provas, verbetes, enciclopédias, editoriais e redações oficiais. A confusão, contudo, é disseminada em apostilas e materiais didáticos. Cabe ao estudante recuperar o rigor conceitual.
Parte dos manuais insiste em rotular como texto dissertativo-expositivo-argumentativo qualquer construção centrada em um conceito. Essa rotulação hibrida é equivocada. Um texto tem uma finalidade comunicativa dominante: ou informa, ou convence. A tipologia se define pela intenção que governa a tessitura do discurso, nao pela simples presenca de conceitos.
O texto dissertativo, enquanto categoria maior, organiza-se em torno de um conceito ou de uma tese e desenvolve uma linha de raciocinio. Essa linha pode ser expositiva, quando se limita a informar, ou argumentativa, quando pretende convencer. A diferença entre elas reside na finalidade e nos recursos lingüísticos mobilizados pelo autor.
Para analisar qualquer produção com segurança, é preciso observar a temática, identificar quem é o autor, onde o texto foi publicado e qual o objetivo da veiculação. Essa triangulação entre leitor, texto e autor revela a estratégia de desenvolvimento adotada. Gramáticos como Celso Cunha e Evanildo Bechara lembram que a intenção comunicativa molda a superfície textual.
Nesta aula editorial, percorremos a definição de dissertação, a diferença entre a vertente expositiva e a vertente argumentativa e exemplos concretos retirados de verbetes de dicionário, entradas enciclopédicas e pequenos editoriais. O objetivo é que você reconheça, à primeira leitura, a tipologia que tem diante dos olhos.
O texto dissertativo nao admite rotulagem dupla: ou a finalidade é informar, e tem-se exposição; ou é convencer, e tem-se argumentação.
A vertente expositiva do texto dissertativo centra-se em explicar um conceito ou reunir informações sobre um tema. Nao há tese a defender, há conhecimento a transmitir. É a tipologia predominante em verbetes, enciclopédias, apostilas, compêndios e em muitas provas discursivas de concursos públicos.
Expõe conceitos vinculados ao tema sem tentar persuadir o leitor.
Apresenta de forma sintética o que determinado termo ou fenômeno representa.
Detalha aspectos do tema sem converter-se em texto descritivo literário.
Relaciona conceitos e ordena informações para esclarecer o objeto tratado.
A exposição tem por norte informar. O autor reúne dados factuais, citações de fontes confiáveis, definições técnicas e relações comparativas sem pretensão de convencer. O leitor sai do texto dissertativo expositivo com um inventário organizado de informações sobre o tema.
Nao se identificam, nessa vertente, estratégias argumentativas como a relação de causa e consequência mobilizada para persuadir, nem o uso retórico de exemplos para validar uma tese. Quando esses recursos aparecem, deixam de ser meramente informativos e passam a servir à persuasão, deslocando o texto para a argumentação.
Em provas discursivas que apresentam um estudo de caso, espera-se do candidato uma resposta expositiva. O examinador quer que se exponha a solução técnica, nao que se defenda uma opinião pessoal. Bancas como a Cebraspe tradicionalmente cobram esse tipo de produção em concursos policiais.
A linguagem tende à objetividade e à neutralidade. Predomina a terceira pessoa, o presente do indicativo com valor gnômico e o vocabulário técnico ajustado ao campo do saber em discussão. Operadores argumentativos fortes, como portanto, todavia e logo, aparecem com parcimônia.
O autor recorre a enumerações, classificações, nomenclaturas científicas, sinônimos técnicos e etimologias. Esses elementos sustentam a função referencial da linguagem, conforme descrita por Roman Jakobson, e afastam a subjetividade que caracterizaria a argumentação ou a narração.
A organização costuma seguir do geral ao particular ou obedecer a critérios taxonômicos. O leitor encontra um caminho ordenado de informações, sem surpresas retóricas, sem apelos emocionais e sem projeção de um eu enunciador disputando adesão.
O verbete é um gênero discursivo que materializa exemplarmente a tipologia expositiva. Tome-se a entrada nostalgia: substantivo feminino, tristeza causada pela saudade da terra ou da pátria, melancolia, disfunções comportamentais provocadas pelo isolamento físico do país natal, do francês nostalgie. Ha definição, ha descrição, ha etimologia.
Em momento algum o lexicógrafo tenta convencer o leitor de que a nostalgia é boa ou má. Ele apenas expõe as acepções registradas na tradição da língua. A ausência de tese é marca estrutural do gênero, que serve de repertório, nao de arena de debate.
Esse reconhecimento é útil em provas que apresentam verbetes como texto-base. Pedir interpretação argumentativa de um verbete é pedir aquilo que o gênero nao oferece. O candidato deve responder no registro expositivo, organizando as acepções sem projetar opiniões.
Considere-se uma entrada enciclopédica sobre o cervo-do-pantanal. Apresenta-se o nome científico Blastocerus dichotomus, listam-se os sinônimos populares, descreve-se a família dos cervídeos, situa-se a distribuição geográfica entre o sul da Amazônia e o norte da Argentina. Nao há tese.
O texto aproxima-se da descrição técnica, mas nao é texto descritivo no sentido literário. O autor nao adjetiva para impressionar, apenas sistematiza características. Trata-se, portanto, de texto dissertativo expositivo com recursos descritivos a serviço da informação.
Esse registro domina manuais universitários, apostilas, livros didáticos, artigos de divulgação científica e a maior parte da literatura técnica. Reconhecê-lo é saber o que nao esperar: nao se procure nessas páginas uma tese disputando adesão, procure-se o mapeamento do objeto tratado.
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A vertente argumentativa do texto dissertativo concentra-se na defesa de um ponto de vista. Há uma tese explícita, argumentos que a sustentam, fundamentação que lhes dá peso e reflexões que a reiteram. É a tipologia cobrada em redações de vestibular, Enem, concursos e em editoriais jornalísticos.
Posição explícita do autor a respeito da questão controversa apresentada.
Razões que sustentam a tese e conduzem o leitor à adesão pretendida.
Dados, citações e teorias que corroboram a argumentação, e nao corroboram com ela.
Retomada da tese à luz do percurso argumentativo desenvolvido no texto.
O texto dissertativo argumentativo organiza-se em introdução, desenvolvimento e conclusão. Na introdução, apresenta-se a tese. No desenvolvimento, expõem-se e fundamentam-se os argumentos. Na conclusão, retomam-se os argumentos para reforçar a tese e, frequentemente, propor um encaminhamento.
Quem busca a tese deve ler a introdução com atenção; quem busca a estratégia argumentativa deve examinar o desenvolvimento. Essa divisão funcional é reconhecida em manuais clássicos, como o de Othon Moacyr Garcia em Comunicação em Prosa Moderna, referência no ensino de redação no Brasil.
O objetivo dessa arquitetura é construir um caminho cognitivo: partir de um ponto de vista inicial e conduzir o leitor, passo a passo, até a adesão. A coesão e a coerência, operadas por conjunções e operadores argumentativos, pavimentam esse percurso lógico.
O texto argumentativo mobiliza intensamente operadores argumentativos: portanto, logo, no entanto, embora, além disso, por conseguinte, uma vez que. Esses conectores, descritos na semântica argumentativa de Oswald Ducrot, orientam o leitor ao longo da cadeia de razões e impedem que ele se perca entre premissas e conclusões.
Atente-se a um deslize gramatical frequente: o verbo corroborar é transitivo direto. Corrobora-se uma tese, uma ideia, uma hipótese, nunca se corrobora com algo. Essa regência, registrada por Celso Luft no Dicionário Prático de Regência Verbal, costuma ser cobrada em provas de português para concursos.
Outro recurso típico é a citação de autoridade. Invocar teorias, pesquisadores e dados estatísticos agrega peso ao argumento. Nao se trata de enfeite erudito, trata-se de ancorar a tese em fontes reconhecidas pelo interlocutor, reforçando o efeito persuasivo do texto.
Considere-se um texto que tematiza atos violentos na escola. Afirma-se, de início, que os ambientes supostamente seguros, nomeadamente as escolas, são alvo crescente de ações violentas. A expressão mais do que nunca funciona como operador argumentativo que instala a tese da escalada.
Segue-se a constatação de que os conflitos se resolvem de forma irracional, argumento que atribui causa à perda de valores. Acrescenta-se que as crianças absorvem esse comportamento cedo, pela influência de uma sociedade violenta. Cada movimento acrescenta uma razão à defesa da tese central.
A conclusão propõe que a aproximação entre pais e escola é um dos principais propulsores para mitigar o problema. Note-se o fechamento: retoma-se a tese, reorganizam-se os argumentos e aponta-se um caminho. Há tropeços de acentuação e pluralização no texto original, mas a arquitetura argumentativa está visível.
Produz-se texto dissertativo argumentativo sempre que a situação comunicativa exige o convencimento do interlocutor. Debates políticos, editoriais jornalísticos, pareceres técnicos, redações de vestibular e provas discursivas que pedem opinião fundamentada são contextos típicos da argumentação.
Nesses contextos, nao basta expor: é preciso posicionar-se. O candidato que responde a uma proposta do Enem apenas enumerando dados, sem defender uma tese, é penalizado. A banca exige compreensão da tipologia argumentativa e domínio de seus recursos linguísticos característicos.
Por isso, distinguir os dois subtipos do texto dissertativo nao é preciosismo acadêmico. É competência essencial de leitura e de escrita, sem a qual o leitor interpreta mal e o escritor responde fora do solicitado. Essa competência se constrói com análise criteriosa e prática constante.
Nao existe texto dissertativo-expositivo-argumentativo: ou se informa, ou se convence, e a escolha revela o autor.
Dominar o texto dissertativo começa por aceitar sua natureza bipartida. Ha a vertente expositiva, que informa, e a vertente argumentativa, que convence. Nao há categoria intermediária legítima, e a tentativa de criar uma apenas obscurece a análise de provas, verbetes, enciclopédias e editoriais.
Reconhecer a tipologia correta depende de triangular leitor, texto e autor, observando tema, veículo e finalidade. O texto dissertativo expositivo organiza conceitos, definições, descrições, comparações e enumerações em linguagem referencial. O texto dissertativo argumentativo estrutura tese, argumentos, fundamentação e conclusão em linguagem persuasiva.
Com essa distinção em mente, o leitor deixa de tropeçar em verbetes lidos como se fossem editoriais e em editoriais lidos como se fossem verbetes. O candidato a concurso responde no registro pedido, e o redator produz textos cujo propósito comunicativo é nítido desde a primeira linha.
Quem consolida essa competência interpreta com coerência, escreve com precisão e avança com segurança para o estudo dos gêneros textuais específicos, onde cada tipologia se materializa em formas concretas de uso da língua.
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É a tipologia textual que se organiza em torno de um conceito ou de uma tese, desenvolvendo uma linha de raciocínio. Pode ser expositiva, quando informa, ou argumentativa, quando convence. Predomina em provas, editoriais, verbetes e enciclopédias.
Nao. A rotulagem hibrida é equivocada porque a finalidade comunicativa dominante de um texto é informar ou convencer. A presença de recursos de ambos os lados nao autoriza classificação dupla. A análise deve identificar a intenção que governa o discurso.
O expositivo informa por meio de conceitos, definições, descrições e comparações, sem defender tese. O argumentativo defende uma posição por meio de tese, argumentos e fundamentação. A finalidade distingue os dois subtipos do texto dissertativo.
Em verbetes de dicionário, entradas enciclopédicas, apostilas, compêndios, livros didáticos, artigos de divulgação científica e muitas provas discursivas que pedem resposta técnica a estudos de caso, especialmente em concursos policiais aplicados por bancas como a Cebraspe.
Divide-se em introdução, desenvolvimento e conclusão. Na introdução, apresenta-se a tese. No desenvolvimento, expõem-se e fundamentam-se os argumentos com dados, citações e teorias. Na conclusão, retomam-se os argumentos para reforçar a tese e, quando cabível, propor encaminhamento.
O correto é corroborar a tese, sem preposição. Corroborar é verbo transitivo direto, conforme registra Celso Luft no Dicionário Prático de Regência Verbal. O uso de corroborar com é desvio frequente e costuma ser cobrado em provas de português para concursos.
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